quarta-feira, 5 de março de 2014

Garota dos meus versos #001

Hey, menina. É pra vc começo a escrever agora... Sonhei com você diversas vezes, imaginando como seria seu rosto, seu sorriso, o som da tua risada. Escrevi muitas coisas sobre você; Joguei todas fora. Me perdoe por isso. Fruto de minhas frustrações, sabe? Imagino que vc também tenha lá as suas, certo? Bem, se é assim, então acho que vc me entende. Eu já te desenhei, mas isso foi há muito tempo... no tempo em que eu ainda tinha esse talento. Qual será a cor do seu cabelo? Não importa! Desde que eu possa entrelaçar meus dedos neles enquanto te embalo numa dança sem música te abraçando e dizendo o quanto você é importante. Eu tinha um sonho antigo... acho que vou resgatá-lo. Estar sentado ao teu lado, enquanto ouvimos a palavra de Deus, de mãos dadas com vc. Também quero segurar tua mão no cinema, no teatro ou na praça, numa tarde de domingo enquanto tomamos sorvete. Quero ter novos sonhos com vc. Sonhos que não sonho ainda, mas que um dia sonharemos juntos, e realizaremos. Eu te procurei nos lugares errados, meu amor. Cheguei a acreditar que nunca mais iria te encontrar. Mas agora sinto que estou perto, pois descobri que você, minha querida, está bem escondida no fundo do coração de Deus. Vou te achar, prometo. Me espere.
Te amo, garota dos meus versos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Desperdício

Um vislumbre do horizonte... uma luz. Distante, tênue e distorcida pelos olhos embaçados recém abertos após um longo período de escuridão e sono profundo. Um leve torpor ainda se faz presente em minha cabeça embora minhas memórias estejam avidas e insistentemente me fazendo recordar dos horores vividos. Há um aroma no ar. Um cheiro familiar... Um doce e agradável veneno mortal. Seu aspecto palatável lembra cereja com um leve toque de vinho tinto e cheiro de rosas. Sim, ao meu redor... posso vê-las. Como são lindas! Suas pétalas desabrochando revelam o suave aroma da morte. Como é doce! Como é agradável a sensação de formigamento na língua, enquanto meus olhos se escurecem novamente!
A centelha que outrora ardera em meu peito, já não passa de uma minguante fagulha. Lembro-me de quando ouvia sua voz. Talvez ainda possa ouví-la. Não! Espere... Estou realmente ouvindo. Meus olhos se abrem novamente sob a turva visão enquanto respiro mais uma vez o veneno entorpecente. Tento ficar de pé, mas minhas pernas me traem levando meu corpo todo ao chão em uma violenta queda de corpo inerte. Minhas trêmulas mãos avançam em direção à luz quando surge ao meu lado uma figura peculiar - "Aonde pensa que vai? Você pertence a esse lugar. Você ama esse lugar!" - De refinada aparência e muito bem vestido o homem de face soberba, de cócoras me encarando, segura em sua mão esquerda, de forma requintada uma taça de vinho enquanto traga o delicado aroma de uma flor vermelha, semelhante a uma rosa na outra mão. Olhando-me fixamente, aproxima de minhas narinas a bela flor dizendo-me pra respirar: "isso... cheire! Deixe o aroma lhe invadir".
Prendo minha respiração e aperto os olhos bem forte buscando me lembrar de meu grande amigo. Cicatrizes em suas mãos estendidas e um sorriso em seu rosto judeu queimado pelo sol. Suas fortes e calejadas mãos de carpinteiro seguram as minhas enquanto sua gentil voz me diz que não me considera mais servo, por que servos não conhecem a vontade de seu mestre. Antes, ele me considera um amigo, pois sente prazer em compartilhar seus propósitos comigo... Meus olhos se abrem novamente quando o soberbo homem de terno preto, agora em pé, me traz pela mão uma bela jovem trajando lingerie vermelha e um sobretudo branco de algodão. Seu batom vermelho contrastando com os olhos negros e pele branca me trazem uma sensação de medo. Ela era apenas uma entre várias, inúmeras... Nenhuma delas me causara medo anteriormente. A declaração de que eu amava esse lugar era verdadeira, de fato! O medo é de não conseguir sair. Sem dúvidas, não conseguirei. A moça abaixa-se até mim, segurando meu rosto com suas duas mãos e sorrindo me olha nos olhos dizendo: "não nos deixe". Uma piscadinha sensual seguida de um provocante levantar, enquanto ela parte balançando levemente seu corpo de forma irresistivelmente sedutora.
"Levante-se... levante-se!" A voz firme de meu amigo judeu se fazia distante e quase inaudível enquanto a bizarra forma de um homem gordo trajando um fino terno branco e gravata se aproxima. Ele era muito gordo, igualmente soberbo e terrivelmente feio. Careca e com uma verruga na ponta do nariz, se aproxima acompanhado de outras duas belas moças. Talvez as mais lindas daquele lugar, ou ainda de outros lugares. Seus vestidos decotados e agarrados revelam suas voluptuosas formas e delicadas feições femininas faciais.
Diferente do homem do terno preto ou da jovem de lingerie vermelha, o gordo não abaixou-se até mim. Grosseiramente abre sua maleta deixando bolos e mais bolos de dinheiro caírem sobre meu corpo ao que termina dizendo com sua bizarra voz de fumante: "Não nos deixe".
"Levante-se... Eu fiz você com minhas próprias mãos! Moldei segundo meu querer, para que você fosse grande. Soprei de meu fôlego para que você brilhasse. Derramei meu sangue para que você não precisasse morrer". Uma velha asquerosa se aproxima trazendo diversos tipos de carne assados num churrasco enquanto eu novamente ouço a voz de meu velho amigo a me chamar. De forma nojenta ela joga lindos pedaços de carne bovina e suína, assados com maestria e aprazíveis ao olhar no chão. Misturado a lama e fezes o cheiro da carne atrai meu estômago vazio me fazendo esquecer das ruas feitas de tijolos de ouro, ornamentadas com pedras preciosas. Esqueço do rosto do judeu, queimado pelo sol e seus amáveis olhos cor de mel. Alguns dentes tortos na boca tornavam seu sorriso engraçado. De fato, meu amigo era muito divertido. Mesmo sério, ele me fazia sentir completamente a vontade em sua presença... Acabo de me lembrar que estou nu. Completamente coberto de lama, fezes, dinheiro e carnes saborosas. Embriagado pelo cheiro das flores da morte quase me esqueço de seu rosto. Das cicatrizes nas mãos... Me entrego, durmo novamente... Eis que um anjo se aproxima. Justo e agradável, sua presença traz praz. Seu corpo completamente coberto por um sobretudo velho, sujo e surrado, esconde além de seu rosto, uma gloriosa armadura e espada embainhada perto da cintura. Em sua mão esquerda uma foice, usada como bengala, seus lindos porém sujos cabelos longos teimam em se revelar por sob o capuz que lhe esconde o rosto. Gentilmente se abaixando, estende sua mão direita dizendo com voz amável: "Terminou! Vamos partir desse lugar nojento". Minhas pernas renovadas, assim como minhas forças, permitem que segure em sua mão e me levante. Mesmo nu, mesmo sujo e fedendo tenho plenas condições de caminhar por aquele lugar sem me importar com os demais presentes e meu maldito anfitrião. Meus pés descalços quebram espinhos venenosos, porém estes não mais me afetam. Minha visão não está mais turva e embora ainda sinta o doce cheiro das flores da morte, estas não mais entorpecem minha mente.
- Para onde vamos agora?
- Para um local seguro, você permanecerá em meus domínios onde poderá dormir até que chegue a hora. Nesse meio tempo, você não será tocado, ninguém reclamará sua alma e estará a salvo de si mesmo visto que dormirá profundamente até que venha a ser despertado pelo único que pode fazê-lo.
- Por que? Eu não quero dormir...
- Sinto muito, mas seu tempo acabou!
- Eu queria me casar... achei que teria filhos e que os veria crescer. Sempre sonhei em ter uma família.
- Sinto muito por você. Do fundo do meu coração. Mas sou justo e a cada um é concedido um tempo. Você desperdiçou o seu com seus crimes, sua luxúria, seu amor ao dinheiro e os prazeres da carne. Você negligenciou a tudo que conhecia (a verdadeira vida), trocando-a por prazeres fáceis de um mundo corrompido e sujo. Você se embriagou diariamente com o veneno mortal do pecado, dando as costas àquele que morreu por você. Uma mulher fora preparada para você, e com tristeza te informo que vocês chegaram a se conhecer, mas nunca te ocorreu que pudesse ser ela, a mulher da sua vida. Você mal notou sua presença e o carinho que sentia por você. Antes, preferiu diversas mulheres que só se interessavam por seu corpo e seu dinheiro. Trocou todos os seus sonhos por momentos descartáveis. desperdiçou toda a sua vida e finalmente seu tempo acabou... sem que você pudesse se dar conta.
- Que triste! E o que acontece agora?
- Eu até sei o que acontece, mas infelizmente tenho regras, e estas não me permitem te contar. Aquele que verteu seu sangue no madeiro pra redimi-lo de seus pecados decidirá o que fazer com você no dia em que vier te despertar. Por hora, meu trabalho acabou. Você foi ceifado e dormirá até que sua alma seja requisitada por aquele que lhe criou.
- Como eu gostaria de ter outra chance...
- Você teve, meu caro! Várias... O judeu com cicatrizes nas mãos chamou por seu nome incansavelmente todos os dias. Mas você estava ocupado demais com sua vida para dar-lhe ouvidos. Ele está com o coração partido por ter sido tratado com tanto desprezo. Todas as vezes em que você chorou se sentindo abandonado, ele descia até você, sujando os próprios pés naquele lugar imundo onde você rastejava. Tirava seu próprio manto e o cobria pra te proteger da chuva e do frio, mas você, gritando, expulsava-o dizendo não precisar dele. Seu desprezo, sua raiva e sua falta de educação feriram-lhe profundamente o coração. Mesmo assim, ele te considerava mais importante que seu próprio orgulho ou seu próprio coração partido, e novamente ia em seu socorro cada vez que você clamava. A cada manhã, ele decidia te perdoar pela triste noite passada, em que esperava você se arrepender. A cada manhã um novo perdão e uma nova chance. Mas você estava ocupado demais com sexo e bebidas durante a noite, e pela manhã, ocupado demais correndo atras do sucesso, lutando contra a ressaca. Ainda assim, ele te deu novas e novas chances. Dia após dia.
- O que foi que eu fiz...?
- Sim, "o que foi que você fez..."? Preciso partir. Há outros para ceifar. Você não sentirá mais dor, nem tristeza... Não sentirá mais frio, ou saudade, nem arrependimento. Seu sono será a garantia de que nada mais poderá incorrer contra você. Acredite, meu caro, isso também é amor! Adeus...
Sinto uma profunda compaixão vinda do anjo que me ceifou. Vejo-o dando as costas e partindo. Lembro-me da face do meu amigo... Lembro-me do seu sorriso quando me recebeu em seus braços no dia em que eu tanto chorava, clamando por salvação. Vejo incontáveis corpos ao meu lado, todos dormindo. Sinto uma profunda paz, embora ainda culpado de sangue. Não estou mais nu. Estou limpo. Caio de joelhos e sinto toda a tristeza indo embora... Deito-me no chão enquanto minha visão lentamente escurece. Aguardarei o dia em que serei despertado, desejando do fundo do meu coração, que outros não cometam o mesmo erro que eu... que não desperdicem suas vidas, trocando seus sonhos e sua vida com Deus por prazeres descartáveis. Adormeço... morro!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A Cabana

Então... hora de blogar (risos).
Enfim, acabo de terminar mais um livro (concordo que não sou um bom leitor), e com isso me sinto animado pra escrever um pouco. O último foi ano passado. Enfim, é sempre um alívio terminar uma leitura. Ao mesmo tempo, um assombro. É como se aqueles personagens ocupassem seus assentos em um trem que parte pra longe, e nunca mais voltará. Eles acenam pela janela (alguns mais antipáticos apenas o ignoram, mas sabem que te tocaram, e fizeram parte da sua vida por algumas páginas ou capítulos).
Conforme supramencionado, sou um mau leitor. Um pouco de preguiça? Talvez. Mas eu prefiro a palavra desorganização. Tenho uns quatro livros engatados (só este mês), e antes que uma leitura termina, acabo por me empolgar com outra, e não leio nem A, nem B. Enfim, cá estou, nesse fim de tarde de sexta-feira, faltando alguns minutos pra ir a igreja (a convite), porém com uma chuva à espreita. O recém terminado livro deixará saudades. Os acontecimentos fantásticos de suas paginas certamente me comoveram. Confesso ter derramado algumas lágrimas em algumas passagens, em especial, e certamente levarei em meu coração, para sempre, a mensagem que essa história me trouxe.
Super recomendo a leitura. Sem dúvidas A Cabana é um livro para se degustar.
Próxima leitura: A Cabeça de Steve Jobs - Leander Kahney.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Violão

De volta aqui, ao meu bom e velho blog abandonado. Estou animado. Comprei uma capa pro meu velho e desafinado violão, e instalei um app afinador no Android. Agora o violão está afinadinho (menos eu), e estou fazendo umas vídeo aulas no Youtube. Pretendo me matricular no Clac (escola de música da minha terrinha) pra me aperfeiçoar. Quero estar tocando alguma coisa bacana até o fim do semestre.

Feliz :)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Breve retorno

Embainhada espada e selado cavalo
companheiros fiéis de uma estrada solitária
Em casa me aguarda aquela de quem aqui falo
amargando grande saudade, embora temporária

São longos os dias sem a doçura de seus beijos,
escura e fria é a noite sem o calor de seu abraço.
Ocasionalmente vejo seu sorriso, como lampejos.
Então a realidade de sua ausência corta mais que o aço

Aguarde minha amada, aguarde minha chegada.
Com suas preces em meu entorno será breve meu retorno.
E nas campinas verdejantes beijarei seus lábios em instantes.

Antes que a noite caia, farei uma prece ao bom Deus
Agradecendo pelo alimento e livramento diários
Pedindo fervorosamente "Senhor, proteja os meus"
E que garanta meu retorno, mesmo sob ventos contrários.

Para em meus braços novamente envolver-te
Beijar-te com meus lábios novamente.
me perder na imensidão do teu olhar
a refletir o prateado brilho do luar.